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Artes. Buenas.

12/05/2008 · 1 Comentário

Desde que cheguei a Buenos Aires eu estudo, fotografo, estudo, fotografo. E quando eu e o pibe abrimos os olhos no sábado… Aaaaah, é pular da cama, agarrar a Nikon e o mate e sair. Às vezes o frio caga tudo, mas a gente nem liga, nós tenemos aguante (parafraseando a querida Cristina).

Buenos Aires está presenteando-me com fins de semana de muita arte!

Primeiro fui ao CCR e vi a exposição do fotógrafo argentino Gustavo Germano, Ausencias. O trabalho do cara é tecnicamente simples, a idéia é incrível, o resultado, inesquecível. Partindo do material fotográfico de álbuns familiares, mostra dezessete casos através dos rostos dos que já não estão: trabalhadores, estudantes, militantes, famílias inteiras; todos vítimas do sistemático plano de repressão ilegal e desaparecimento forçado de pessoas, instaurado pela ditadura militar argentina, entre 1976 e 1983.

Depois foi o artista plástico britânico Julian Beever que deu as caras por aqui. Beever desenha pelas ruas do mundo todo em 3D e quando eu ouvi falar, pensei “3D? Isso é soooooooo 90’s!”, mas a verdade é que o resultado é re copado. E o mais legal foi passar pelo lugar todos os dias da semana e ver o cara lá estirado pintando. Esse foi o desenho daqui, que está pertinho da estação Diagonal Norte do metrô:

A penúltima investida artística foi uma ida ao MALBA (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires). Fomos ver uma mostra de quem, de quem, de quem??? Tarsila do Amaral. Vi ao vivo todos os quadros que durante os anos de vida escolar me acompanharam nos livros. Foi muito emocionante e surreal, além disso foi um momento de intercâmbio cultural. Imagine como é explicar para o pibe o que é Movimento Antropofágico, A Semana de Arte de 22, Pagú, etc. A única coisa triste foi saber que o quadro mais significativo da Tarsila, Apaború, é uma peça do acervo permanente do museu. Ou seja: você brasileiro ,só pode ver uma das obras mais significativas da história do nosso país se vier à Buenos Aires.

Por fim, a murga. Eu vi uma murga pela primeira vez em janeiro de 2006, em San Telmo. Na hora assimilei com o que tínhamos de mais parecido, me pareceu um maracatu porteño. Agora conheci uma murga uruguaia que é muuuuito boa. As murgas uruguais cantam e essa, Asaltantes Con Patente, é muito engraçada. Me despeço deixando um vídeo deles imitando uma murga argentina. Porque viver em Buenos Aires é  também viver a sua arte, mas acima de tudo, é viver rindo com e dos argentinos.

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